Eu Sei Que Vou Te Amar - Vinicius de Moraes



Composição: Tom Jobim / Vinícius de Moraes

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que eu vou te amar

E cada verso meu será pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa ausência tua me causou

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

Composição: Tom Jobim, Vinícius de Moraes

O Filho Que Eu Quero Ter Toquinho

Composição: Toquinho/ Vinicius de Moraes




É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr
E assim chorando acalentar o filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho, dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho de tanto amor que ele tem


De repente eu vejo se transformar num menino igual à mim
Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim
Um menino sempre a me perguntar um porque que não tem fim
Um filho a quem só queira bem e a quem só diga que sim
Dorme menino levado, dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado de tanta dor que ele tem


Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar no derradeiro bei..jo seu
E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus
Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado, com o filho que ele quer Termusica.

Toquinho


Antonio Pecci Filho, conhecido como Toquinho, (São Paulo, 6 de julho de 1946) é um cantor, compositor e violonista brasileiro. Ganhou o hipocorístico Toquinho da mãe e já aos quatorze anos começou a ter aulas de violão com Paulinho Nogueira. Estudou harmonia com Edgar Janulo, violão clássico com Isaías Sávio e fez curso de orquestração com Léo Peracchi. Teve aulas e tornou-se amigo de Oscar Castro Neves.

Começou se apresentando em colégios e faculdades e profissionalizou-se nos anos sessenta, em shows promovidos pelo radialista Walter Silva no famoso teatro Paramount em São Paulo. Compôs com Chico Buarque sua primeira canção a ser gravada, Lua cheia. Em 1969 acompanha Chico à Itália, pais onde até hoje se apresenta regularmente.

Em 1970, compõe, com Jorge Benjor, seu primeiro grande sucesso, Que Maravilha. Ainda nesse ano, Vinicius de Moraes, o mundialmente famoso compositor de Garota de Ipanema (com Tom Jobim), o convida para participar de uma série de espetáculos em Buenos Aires, formando uma sólida parceria que iria durar onze anos, 120 canções, 25 discos e mais de mil espetáculos.

Após a morte do poetinha, Toquinho segue em carreira solo, ou às vezes se apresentando com uma cantora convidada ou com outros compositores, como Paulinho da Viola, Danilo Caymmi, Paulinho Nogueira e MPB-4, em discos e apresentações por vários paises.

vinicio de moraes


Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica em meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.

Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.

Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.

Essa mulher é um mundo! – uma cadela
Talvez… – mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!

Soneto do amor total



Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Memória Carlos Drummond de Andrade



Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.



Carlos Drummond de Andrade

Gonzaguinha






Luiz Gonzaga Jr.


Gonzaguinha é filho do conhecido cantor e compositor, Luiz Gonzaga e nasceu no dia 22 de setembro de 1945, no Rio de Janeiro. Herdou do pai o nome, Luiz Gonzaga Nascimento Filho e, como o pai, tinha o talento para a música. Sua mãe, Odiléia, era uma cantora e dançarina que morreu de tuberculose ainda muito moça, com apenas 22 anos de idade, deixando Gonzaguinha órfão aos dois anos.

Em função da dificuldade de seu pai para criá-lo, foi entregue a seus padrinhos, Seo Xavier e Dona Dina. Sua infância foi passada no morro de São Carlos, no bairro do Estácio onde Gonzaguinha conviveu com a miséria, a falta de infra-estrutura e todas as dificuldades que existem em uma favela. Aos 16 anos foi morar com o pai para poder dar continuidade aos seus estudos, já que seus padrinhos não tinham condições financeiras para isso. Mas não foi fácil. Teve desavenças com a mulher de seu pai e, por causa disso, foi para um colégio interno. Seus estudos o levaram à Faculdade de Ciências Econômicas Cândido Mendes, no Rio de Janeiro.

Durante seu período universitário entrou em contato com outros músicos novos como ele. Fez parte do grupo MAU (Movimento Artístico Universitário) junto com Ivan Lins, Dominguinhos, Aldir Blanc e César Costa Filho.

Participava de festivais e já começava a despontar pelas suas letras sempre com forte teor social. Aliás, essa era uma marca em sua carreira. Suas letras eram provocativas e, em virtude do regime militar, estava sempre tendo que driblar a censura. Em 73 se apresentou no programa de Flávio Cavalcante e causou grande espanto pelo teor de suas música. Gonzaguinha era agressivo e irônico. Recebeu uma advertência da censura e muitas críticas, mas teve um lado positivo. Seu compacto que estava encalhado nas prateleiras foi rapidamente vendido. Começou aí a carreira de Gonzaguinha. Era um sucesso na Rádio Tamoio e logo veio a gravar seu primeiro long-play.

Com o passar do tempo percebeu que suas letras não alcançavam o público que ele queria tocar. Assim deu uma guinada na carreira e começou a ser mais leve. De certa forma, os tempos haviam mudado e o discurso foi se adaptando às circunstâncias.

No ano de 1976 lançou o disco “ Começaria Tudo Outra Vez” onde conseguiu o sucesso entre as massas. A partir daí se consolidou como compositor sendo gravado por cantoras como Elis Regina, Simone e Maria Bethânia. No dia 9 de abril de 1991 Gonzaguinha morre em um acidente de carro em uma estrada do sul do Paraná. E o Brasil perdia mais um grande compositor...

Tatiana Rocha

Vinte Anos de Morte - Raul Seixas






Vinte anos após a morte, Raul Seixas vai parar no cinema


Raul Seixas, enfim, vai ter sua biografia retratada no cinema. Pelo menos é o que se especula. Ainda faltam R$ 1,5 milhão para atingir o orçamento original. Será preciso esperar para ver. A previsão é de que o trabalho seja finalizado no próximo ano e chegue ao cinema do País por volta de agosto, propositalmente à época em que o Raulzito atinge o vigésimo aniversário de morte. Não se trata, óbvio, de uma comemoração, ou sequer o tom aqui é pejorativo. Seria mais justo falar em homenagem.

A ex-mulher de Raul, Kika Seixas, herdou do então marido um baú, o verdadeiro “baú-do-Raul”, onde o cantor armazenou uma infinidade de objetos pessoais. Segundo as informações da própria família, o dono teria ordenado que o conteúdo do baú fosse mantido em sigilo até sua morte, o que significa dizer que o prazo já foi ultrapassado em duas décadas. Parte das relíquias, vieram a público há três anos, quando Sílvio Essinge publicou O Baú do Raul Revirado.

De lá para cá pouco se procurou a respeito. E com a proximidade da data, algo deveria e poderia ser feito. Surgiu a idéia do cinedocumentário. Além de imagens arquivadas e inéditas da carreira, incluindo muito material de redes de televisão, a matéria-prima sai em especial do Baú. Outras contribuições, por exemplo, são fruto de registros de terceiros. Marcelo Nova ofereceu imagens de um show entre Raul e Paulo Coelho, na época em que retornava aos palcos passados três anos de ostracismo.

A produção de Alain Fresnot e Denis Feijão compreenderá dramatizações de quando Raul Seixas integrava Os Panteras na Bahia, imagens inéditas e cenas com o parceiro Paulo Coelho, convidado inclusive para a narração. Completa a equipe o diretor Walter Carvalho.

Alexandre Pires


Depois do Prazer

Tô fazendo amor com outra pessoa
Mas meu coração vai ser pra sempre teu
O que o corpo faz, a alma perdoa
Tanta solidão, quase me enlouqueceu

Vou falar que é amor
Vou jurar que é paixão
E dizer o que eu sinto
Com todo o carinho, pensando em você

Vou fazer o que for
E com toda a emoção
A verdade é que eu minto,
Que eu vivo sozinho, não sei te esquecer

E depois acabou, ilusão que eu criei
Emoção foi embora e a gente só pede pro tempo correr
Já não sei quem amou, que será que eu falei
Dá pra ver nessa hora que o amor só se mede depois do prazer

Fica dentro do meu peito sempre uma saudade
Só pensando no teu jeito eu amo de verdade
E quando o desejo vem é teu nome que eu chamo
Posso até gostar de alguém, mas é você que eu amo

Vou falar que é amor
Vou jurar que é paixão
E dizer o que eu sinto
Com todo o carinho pensado em você

Vou fazer o que for
E com toda a emoção
A verdade é que eu minto
Que eu vivo sozinho, não sei te esquecer

E depois acabou, ilusão que eu criei
Emoção foi embora e a gente só pede pro tempo correr
Já não sei quem amou, que será que eu falei
Dá pra ver nessa hora que o amor só se mede depois do prazer

Fica dentro do meu peito sempre uma saudade
Só pensando no teu jeito eu amo de verdade
E quando o desejo vem é teu nome que eu chamo
(É teu nome que eu chamo)
Posso até gostar de alguém mas é você que eu amo
(Você que eu amo)

Fica dentro do meu peito sempre uma saudade (saudade)
Só pensado no teu jeito eu amo de verdade
E quando o desejo vem é teu nome que eu chamo
(É teu nome que eu chamo)
Posso até gostar de alguém mas é você que eu amo
(Você que eu amo)

Fica dentro do meu peito sempre uma saudade... saudade...

Sergio Caetano e Chico Roque

Charles Chaplin


Tua caminhada ainda não terminou....
A realidade te acolhe
dizendo que pela frente
o horizonte da vida necessita
de tuas palavras
e do teu silêncio.

Se amanhã sentires saudades,
lembra-te da fantasia e
sonha com tua próxima vitória.
Vitória que todas as armas do mundo
jamais conseguirão obter,
porque é uma vitória que surge da paz
e não do ressentimento.

É certo que irás encontrar situações
tempestuosas novamente,
mas haverá de ver sempre
o lado bom da chuva que cai
e não a faceta do raio que destrói.

Tu és jovem.
Atender a quem te chama é belo,
lutar por quem te rejeita
é quase chegar a perfeição.
A juventude precisa de sonhos
e se nutrir de lembranças,
assim como o leito dos rios
precisa da água que rola
e o coração necessita de afeto.

Não faças do amanhã
o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo
que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás...
mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te.

Charles Chaplin